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O museu se reinventa como um organismo vivo, em diálogo constante com um mundo que acelera a cada instante. Mais do que guardião de memórias, torna-se catalisador da cultura, um espaço onde a arte abre janelas para a eterna busca do que nos torna humanos — e para a compreensão da nossa existência na vastidão do universo que habitamos.

Dentro do tema “O Futuro dos Museus em Comunidades em Rápida Transformação”, nasce o projeto “Se Essa Obra Falasse – A Estrela é Você no Museu”, uma proposta que aciona a potência do encontro entre olhar, escuta e criação. Baseada na exposição “Grandes Formatos”, a oficina propõe uma imersão nas obras a partir do modelo da Aprendizagem Profunda, explorando suas camadas sensoriais, informativas e, principalmente, as reflexivas.

Combinando dinâmica de gincana, discussões e criação de áudios, a atividade estimula o público das oficinas a traduzir em palavras e sons o que as obras expressam ao olhar atento. Seguindo as diretrizes do eduMACS, proposta educacional do Macs, o visitante ultrapassa o papel de espectador: torna-se viajante e interlocutor das obras. Cada pintura é uma provocação, uma semente de questionamento:

  • Se essa obra falasse, o que ela diria?
  • E, ao escutá-la, o que descubro sobre mim?

Esta dinâmica nasce do mesmo princípio que orienta a efetiva aprendizagem das Ciências: o aprofundamento do conhecimento como caminho para desvendar o sentido da existência, partindo da experimentação prática para a construção dos conceitos e, a partir deles, o desdobramento das ideias.

Da mesma forma, propomos a obra de arte como um experimento sensível — não um objeto estático, mas um fenômeno vivo, aberto à percepção, à interpretação e à recriação. Assim, além do fluxo tradicional da apreciação — que percorre da obra ao conceito e à ideia —, propomos também o caminho inverso: o visitante, ao se expressar pela linguagem oral — criando um áudio, numa aproximação ao teatro e à performance.

  • Essa prática valoriza o patrimônio imaterial do museu — não apenas preservando objetos, mas acolhendo histórias, sentimentos e interpretações singulares trazidas pelos visitantes.
  • Celebra a juventude como presença viva, não como promessa distante de um futuro melhor.
  • E faz uso sensível das novas tecnologias, transformando a interação com as obras em um grande organismo de memória compartilhada.

No movimento de escutar, dialogar e gravar suas falas, os visitantes praticam uma das formas mais elevadas de sabedoria: a busca na compreensão de si mesmos. E a mais refinada das artes, no desenvolvimento humano: dar sentido ao que veem, vivem e sentem. Por isso, a arte contemporânea, com suas fronteiras fluidas entre criador, obra e espectador, é o solo fértil para nossa proposta.

São experiências que geram novas perguntas — e transformam o museu num espaço de travessia, onde cada visitante é, ele mesmo, uma estrela que ilumina o acervo com sua luz única.

“Se Essa Obra Falasse – A Estrela é Você no Museu” é mais do que uma oficina. Trata-se de um chamado para que, em meio às rápidas transformações do mundo, ainda saibamos parar, escutar e devolver ao mundo a nossa voz através da arte.

Porque o futuro dos museus, acreditamos, não será apenas guardar silêncios, mas cultivar possibilidades de desenvolvimento humano — para todos, por todos.


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Habilidades BNCC – Contempladas no Projeto

🔹 EF69AR02 – (Ensino Fundamental Anos Finais): Pesquisar e analisar diferentes estilos visuais, contextualizando-os no tempo e no espaço.
Como a oficina contempla a habilidade: Na apreciação das obras e sua contextualização sensível e crítica.

 

🔹 EF69AR06 – (Ensino Fundamental Anos Finais): Desenvolver processos de criação em artes visuais, com base em temas ou interesses artísticos, de modo individual, coletivo e colaborativo, fazendo uso de materiais, instrumentos e recursos convencionais, alternativos e digitais. 
Como a oficina contempla a habilidade:
Na criação dos áudios autorais, usando recursos digitais e artísticos.

 

🔹 EM13LGG103 – (Ensino Médio): Analisar, de maneira cada vez mais aprofundada, o funcionamento das linguagens, para interpretar e produzir criticamente discursos em textos de diversas semioses (visuais, verbais, sonoras, gestuais). 
Como a oficina contempla a habilidade:
A oficina propõe a transposição de linguagens: da visual (obras de arte) para a sonora/verbal (áudios produzidos). Esse exercício exige uma análise profunda das linguagens envolvidas, promovendo a interpretação e produção crítica de discursos multissemióticos.